História de Matrinchã

Por volta de 1960, o Senhor Abelírio Claro Feitoza, que tinha uma gleba de terras na região, instalou as margens da estrada que ligava o Município de Itapirapuã a Aruanã, um armazém para atender aos turistas e fazendeiros, também situado na região, outro importante fazendeiro e vereador pelo município de Aruanã, o Senhor Jofre Freire de Andrade, que mais tarde estes viriam a doar as terras que se instalariam o povoado de Santa Luzia de Matrinchã.

Com um pequeno número de casas em torno do armazém, o então prefeito de Aruanã Josias Pereira Macedo, contratou a professora Sr Iolanda Eloíza dos Santos, para lecionar em um pequeno rancho de palha próximo a venda do senhor Abéliro Claro Feitoza. Já em 1970 surgiu à necessidade instalar uma escola em definitivo na região, foi fundada a Escola Municipal Arthur da Costa e Silva, os primeiros professores foram: Ilda Ferreira Camelo, Padre Costa e Irmã Izaura, que se tornaria a Escola Municipal Helena Maria Andrade Neves.

Nascia então à idéia da instalação do povoado, os senhores Abelírio e Jofre Freire, doaram parte de suas terras para que fosse fundado o povoado, a comissão responsável para a fundação do povoado eram Abélirio Claro Feitoza, Jofre Freire de Andrade, Ilda Ferreira Camelo, Viliano Gomes de Almeida e Padre Costa, Irmã Isaura e Josias Pereira Macedo. Um marco importante na História de Matrinchã é a realização da 1ª Missa no Povoado de Santa Luzia da Matrinchã, no ano de 1971, com um levantamento de um Cruzeiro.

Cabe aqui nos lembrar que o Distrito de Lua Nova já existia, ele é datado das décadas de 50/60, ainda estamos construindo a História de Lua Nova, para relacionar com a construção da cidade de Matrinchã.

Outro detalhe é se Lua Nova já existia por que não tornar o município sede? A questão geográfica foi um fator decisivo, dado que Lua Nova se localiza em uma ponta extrema do município, estando a poucos quilômetros das divisas dos municípios de Goiás e Faina, outro fator, foi o econômico, na época da emancipação existia em Santa Luzia de Matrinchã, um grande número de produtores agrícolas que aqui concentravam suas atividades, os quais participaram decisivamente em favor da emancipação do município. Por esse dois fatores citados, Lua Nova passou a integrar o município de Santa Luzia de Matrinchã, Lua Nova já contava com dois vereadores na Câmara Municipal de Aruanã.

A povoado de Santa Luzia de Matrinchã,  também contava com os seguintes vereadores: José Xavier de Godoy, Jofre Freire de Andrade, José Freire de Andrade e Eunides Xavier de Godoy.

Com a abertura do Regime Militar,  novas eleições foram realizadas no ano de 1982 e  o então povoado de Lua Nova conseguiu eleger os seguintes vereadores: Eustáquio José Soares e Antônio Clementes Borges, este segundo por força de lei e na recontagem dos votos, perdeu a vaga para Edison Pereira Marinho.

E o povoado de Santa Luzia de Matrinchã, conseguiu eleger os seguintes vereadores: Alcendino Alves Pinto, Aparecida de Andrade Neves, Virgílio Rufino de Azevedo, e ainda o senhor Carlito José Lucas como Vice-Prefeito.

Em 14 de Janeiro de 1985, o então vereador Virgílio Rufino de Azevedo, encaminhou um ofício, juntamente com um abaixo assinado contendo exatas cento de dezenove assinaturas, ao Deputado Estadual Moisés Abraão Neto (1983-1987), representante do povoado na Assembléia Legislativa do Estado de Goiás, com a intenção de mostrar as potencialidades da região e solicitando que o povoado fosse transformado em município, assinaram no ofício o Vereador Virgílio Rufino de Azevedo e como co-autor o Vice-Prefeito Carlito José Lucas. O sonho da emancipação não se restringia a interesses políticos mas também a importantes fazendeiros da região.

Em 1987, com a nova eleição da Assembléia Legislativa, passaram a representar a região o Deputado Estadual Solon Batista Amaral (1987-1991) e o Deputado Federal Luiz Alberto Soyer (1987-1991), tomada a posse os deputados, juntamente com uma comitiva composta por Virgílio Rufino de Azevedo, Eustáquio José Soares, Mario Alves de Melo, Vicente de Paula Meirelles, Natalino Lucas e outros importantes fazendeiros nossa região, passaram a lutar pela emancipação política de Santa Luzia de Matrinchã. Foram necessárias as intervenções dos Deputados: Luiz Alberto Soyer e Solon Batista Amaral, através do Ministro Iris Rezende Machado (1986-1990), que demonstraram junto ao Supremo Tribunal Federal o potencial agrícola da região e a necessidade de sua emancipação.

Foram feitas várias reuniões entre políticos, lideranças e a comunidade local, para se chegar a um acordo sobre os limites e confrontações do território que viria a pertencer ao pretenso município de Santa Luzia de Matrinchã.

Durante este processo, foi feito um plebiscito proposto pelo então vereador de Aruanã Virgílio Rufino de Azevedo, para que fosse trocado o nome do município de Santa Luzia de Matrinchã, o plebiscito obteve sucesso, passando então o município a chamar Matrinchã, dado a este fato o Hospital Municipal chama-se Hospital Municipal Santa Luzia de Matrinchã, assim como a Paróquia de Santa Luzia de Matrinchã.

Em 30 de Dezembro de 1987, o então Governador Henrique Antonio Santillo, sancionou através da Lei 10.409 datada de 30 de Dezembro de 1987, publicada no Diário Oficial na data de 27 de Janeiro de 1988, que emancipava politicamente e administrativamente o Município de Matrinchã. Na mesma data também foram emancipados outros municípios, em que os municípios (sedes) já existentes, questionaram no Tribunal de Justiça do Estado de Goiás, a legalidade de alguns processos de emancipação, derrubando assim todas as leis que criavam novos municípios.

No caso do povoado de Matrinchã que tinha o apoio do então prefeito de Aruanã, o Sr Jósias Pereira Macedo, para que ocorresse sua emancipação, reuniram representantes locais e juntamente com os Deputados Solon Batista Amaral  (1987-1991) e Luiz Alberto Soyer (1987-1991), e o então Ministro da Agricultura Iris Rezende Machado, que solicitaram audiência no Supremo Tribunal Federal em Brasília, para demonstrar que nosso povoado tinha potencial para sobrevivência político administrativo próprio, o Supremo Tribunal Federal decidiu então por revogar a liminar do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás, dando legitimidade a Lei 10.409 de 30/12/1987, emancipando Político e Administrativamente o município de Matrinchã.

As primeiras eleições municipais de Matrinchã foram realizadas em 16 de abril de 1989, para um mandato tampão de três anos e seis meses, de 01 Junho de 1989 a 31 de Dezembro de 1992, realizadas as eleições tomaram posse: Prefeito - Natalino Lucas, Vice-Prefeito João Batista Costa, Vereadores: João Rufino de Azevedo, João Mariano de Almeida, Antônio Clemente Borges, Rene Garcia Goulart, Sebastião Nogueira Marques, Modesto Alves Neto, Silvio Maria Dantas, José Lázaro da Silva, Ivo Francisco dos Reis. Na ocasião também foi elaborada a Primeira Lei Orgânica do Município de Matrinchã, seu relator foi o então veredador João Rufino de Azevedo.

Após o ano de 1998, o Prefeito Jânio Divino de Araújo (1997-2000), alterou a data de comemoração do aniversário da cidade para 01 de Junho, pelo motivo das comemorações de fim de ano e devido ao fato da instalação político administrativa de nosso município, suceder justamente na data de 01 de Junho.

Nota: Este é um resumo da História de Matrinchã, estamos construindo um livro que será publicado em breve.

  Luiz Gonzaga Júnior

          Historiador

Fonte: Livro publicado pela Prefeitura Municipal sobre a História de Matrinchã e documentos pessoais de Vírgilio de Azevedo,  Mário Alves de Melo, João Rufino de Azevedo e Professora Ilda Ferreira.

Documentos e Arquivos Pessoais dos Entrevistados: Virgílio de Azevedo, João Rufino, Mario Alves e Profª Ilda Ferreira.

Colaborações e Agradecimentos Especiais:

Virgílio Rufino de Azevedo.

João Rufino de Azevedo.

Mario Alves de Melo

Profª Ilda Ferreira Camelo.